Oração á oxum
Ora yê yê Oxum,
Salve dourada senhora
Da pele de ouro!
Benditas são suas águas
e essas mesmas águas lavam meu ser
e me livram do mal.
Oxum, Divina Rainha, bela Orixá,
venha a mim,
caminhando na Lua Cheia.
Traga, mãe, em suas mãos,
os lírios do amor e da paz.
Torna-me doce, sedutora,
suave, como és.
Mamãe Oxum, me proteja, Orixá.
Faça que o amor seja
constante em minha vida
Que eu possa amar a
tudo o que existe.
Me proteja contra as
mandingas e feitiçarias.
Daí a mim o néctar de sua doçura
e que eu consiga o que desejo
Mãe do ouro, da beleza e do amor
Senhora do mais puro axé
Valei-me hoje e sempre.
Ora Yê Yê Oxum!
Ari dé dê ô. Moriô aaa ara wá. Moriô... Oxum pamiladê, moriô aaaaarawa moriô. Oxum ai pondá ri dé de ô. Moriô uá aaaara wa. Mori ô.
Ê Logun edé ari dé deô. Mori ô aaaaa ara wa, mori ô. Oxum pamiladê, moriô aaaa ara wa, mori ô. Oxum ai pondá ri dé deô. Mori ô ááá ara wa. Mori ôôôô!
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Como tudo começou...
De uns tempos para cá muita coisa vem acontecendo em minha vida. Tenho a impressão de que a cada dia ou ano que passa eu aprendo dobrado, triplicado e o crescimento vem sendo tão significativo que ás vezes chega a ser assustador. No momento o que mais me causa sensibilidade é a questão espiritual, me enveredei por um mundo que até então estava apenas no meu imaginário popular, um mundo que pelo lado bom é lindo, acolhedor e sagrado.
Pois bem... Comecei a ter o primeiro contato com o camdomblé através de uma pessoa muito especial em minha vida, o Luiz Felipe. Agradeço quando olho para trás por ter me dado a oportunidade de conhecer coisas novas, de superar preconceitos e pensar que nem tudo é como parece ser, que há algo muito mais profundo do que o preconceito que beira concepções de mundo e principalmente religiões.
Tive o meu primeiro contato com o Camdomblé, religião africana tão combatida e injustiçada no decorrer da história cultural do nosso país, a vulgarmente chamada "macumba". A macumba em si não é o Camdomblé, logicamente então o camdomblé não é macumba. Macumba é a dança onde se apresentam os orixás com toda a sua beleza e simplicidade.
Mas quem são os orixás? Esse foi o primeiro sentimento que tive. Até então tinha na minha imagem aquelas roupas cheias de brilho e luxuosas que os adeptos da religião vestiam. Mas será só isso? Fui percebendo que não.
A primeira vez que tive contato com o espiritismo de fato se deu em uma mesa de jogo, as cartas do cigano Ramiro que me ajudaram em um momento de descrença, encontrei um caminho e consegui o meu objetivo. A cada dia que passava até então a crença me causava ainda mais curiosidade.
A primeira vez que participei de uma festa de santo... Foi uma festa de erê. Mas o que seriam os erês, ao chegar na casa havia muito doce, muito bolo, muito refrigente e toda essa parafernalha que crianças e até nós adultos tanto gostamos. "Ahhh tá, então erê come doce?"
Começou a festa, o despacho de exu. "Que medo! O que seriam os exus? Melhor nem saber... Deixa isso pra depois." - Pensei
Fez-se uma prece, invocou a presença do senhor para que ele pudesse estar presente nos trabalhos, um pai nosso e uma ave maria. Pensei então "Opa... não deve ser tão ruim assim, se não pra que rezar o pai nosso e ave maria"
Parece estranho, mas geralmente se pensa assim. Após cantar para os orixás, alguns deram o ar de sua graça e de sua benção. Até que chegou a hora de "arriar" a mesa no chão, olê lê... a mesa dos orixás.
Começou então a cantar para os erês. Imediatamente todos os médiuns tomaram outras fisionomias, parecia que havia tocado o sino do recreio e todas as crianças de uma escola estivessem saído de suas salas. Pedrinho, Zezinho, Rosinha, Mariazinha, Estrelinha, esses eram os nomes de alguns deles.
Confesso que inicialmente achei um pouco estranho. Fiquei curioso com toda aquela situação, mais curioso ainda ao ver todo mundo falando diferente, quem eram sério já não parecia mais tão sério e quem já era feliz ficava mais ainda.
E bolo para cá, refri pra lá, doces e mais doces. Foi o primeiro contato. Os erês... Aos poucos durante a festa fui ficando um pouco mais a vontade, arrisquei até trocar algumas poucas palavras com a estrelinha, com medo ainda mas um pouco mais a vontade.
Os trabalhos seguiram até o seu fim. E eu voltei pra casa... Levei alguns doces, tive medo de comer incialmente, mas acabei comendo. Cheguei em casa com a sensação de descoberta e pensei. "Nunca pensei que iria em um lugar desse" deitei a cabeça no travesseiro, dormi e sonhei...
A partir daí, fica para a próxima postagem!
domingo, 31 de julho de 2011
Seja como a vida deve ser... Eu sigo aprendendo com cada sorriso, a cada lágrima, a cada tombo ou sensação de derrota.
Quando estou no chão é quando olho para cima e vejo o céu, é quando sinto a terra sobre a minha pele, é quando percebo tudo que está de graça ao meu redor e não vejo.
Tudo é um ciclo. Inicio - Meio - Fim!
O que vale não é o produto final, mas o aprendizado, as sensações que não se apagam, os sentimentos que seguem não importa para onde.
Me lembro que fui feliz, me vejo no espelho e percebo que cresci, que mudei, que chorei e que vivi.
Vivi o que precisava viver, senti o que precisava sentir, e cheguei ao fim do ciclo.
A cabeça erguida, o coração apertado, seguido pela verdade e sensação de que fiz o que quis, o que pude e o que achei certo...
É isso que me levará aos caminhos talvez dolorosos, mas que me farão aprender e a sentir a vida como se este fosse o ultimo instante.
Esse sou eu.
Fernando Sousa
Quinta-Feira: 21 de Abril de 2011: 23:45
Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente. Um
cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer
nada, de deixar as coisas acontecerem.
(Caio F. Abreu)
Quando estou no chão é quando olho para cima e vejo o céu, é quando sinto a terra sobre a minha pele, é quando percebo tudo que está de graça ao meu redor e não vejo.
Tudo é um ciclo. Inicio - Meio - Fim!
O que vale não é o produto final, mas o aprendizado, as sensações que não se apagam, os sentimentos que seguem não importa para onde.
Me lembro que fui feliz, me vejo no espelho e percebo que cresci, que mudei, que chorei e que vivi.
Vivi o que precisava viver, senti o que precisava sentir, e cheguei ao fim do ciclo.
A cabeça erguida, o coração apertado, seguido pela verdade e sensação de que fiz o que quis, o que pude e o que achei certo...
É isso que me levará aos caminhos talvez dolorosos, mas que me farão aprender e a sentir a vida como se este fosse o ultimo instante.
Esse sou eu.
Fernando Sousa
Quinta-Feira: 21 de Abril de 2011: 23:45
Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente. Um
cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer
nada, de deixar as coisas acontecerem.
(Caio F. Abreu)
terça-feira, 10 de maio de 2011

Oni saurê, aul axé
Ponho-me aos teus pés meu Pai.
Lança-me sobre mim Tua sombra benigna.
Faz de Tua limpeza a claridade de meus caminhos.
Não deixas que eu caia em desespero.
E que ninguém tire meu olhar do horizonte.
Que eu tenha respeito aos mais velhos e saiba com eles aprender o que se deve.
Dê-me saúde meu Pai e também paz no meu coração.
Que eu possa ser um condutor de Tua compaixão e luz.
Que eu só faça o bem.
Não permitas Pai, que eu caía nas armadilhas dos que me querem mal.
Esteja sempre como meu guia, meu escudo, minha proteção.
Agradeço-te e aos Teus pés me ponho.
Servo de Ti.
sábado, 12 de março de 2011
A Saudade
Em alguma outra vida,devemos ter feito algo muito grave,para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta doí.
Bater o queixo no chão doí.
Doí morder a língua,cólica doí, doí torcer o tornozelo.
Doí bater a cabeça na quina da mesa,carie doí,pedras nos rins também doí.
Mas o que mais doí é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma brincadeira de infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade de nós mesmo,o tempo não perdoá.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se Ama.
Saudade da pele,do cheiro,dos beijos.
Saudade da presença,e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ele no quarto,sem se verem,mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ele para a trabalho,mas sabiam-se onde.
Você podia ficar sem vê-lo,e ele sem vê-la,mas sabiam-se amanhã.
Contudo,quando o Amor de um acaba,ou torna-se menor no outro.
Sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber se ele continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Se aprendeu a entrar na internet,se aprendeu a ter calma no trânsito.
Se continua preferindo cerveja a uísque(e qual a cerveja)
Se continua sorrindo com aqueles olhos apertados,e que sorriso lindo.
Será que ele continua cantando aquelas mesmas musicas tão bem(ao menos eu admirava)?
Será que ele continua fumando e se continua adorando Mac Donald's?
Será que ele continua não amando os livros,e ela cada vez mais?
E continua não gostando de dar longas caminhadas,e ela não assistindo televisão?
Será que ele continua gostando de filmes de ação,e ela de chorar em comédias.
Será que ela continua lendo os livros que já leu?
Será que ele continua tossindo cada vez que fuma?
Saber é não saber mesmo!!!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais longos,não saber como encontrar
tarefas que lhe cessem o pensamento.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,não saber como vencer a dor
de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra,e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz,e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro,se ele está mais belo.
Saudade é nunca mais saber de quem se Ama e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti(e sinto) enquanto estive escrevendo e o que você (deveria)
provavelmente estar sentido agora depois que acabou de ler.”
Quem inventou a distância nunca sofreu a dor de uma saudade!!!
Martha Medeiros
Trancar o dedo numa porta doí.
Bater o queixo no chão doí.
Doí morder a língua,cólica doí, doí torcer o tornozelo.
Doí bater a cabeça na quina da mesa,carie doí,pedras nos rins também doí.
Mas o que mais doí é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma brincadeira de infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade de nós mesmo,o tempo não perdoá.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se Ama.
Saudade da pele,do cheiro,dos beijos.
Saudade da presença,e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ele no quarto,sem se verem,mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ele para a trabalho,mas sabiam-se onde.
Você podia ficar sem vê-lo,e ele sem vê-la,mas sabiam-se amanhã.
Contudo,quando o Amor de um acaba,ou torna-se menor no outro.
Sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber se ele continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Se aprendeu a entrar na internet,se aprendeu a ter calma no trânsito.
Se continua preferindo cerveja a uísque(e qual a cerveja)
Se continua sorrindo com aqueles olhos apertados,e que sorriso lindo.
Será que ele continua cantando aquelas mesmas musicas tão bem(ao menos eu admirava)?
Será que ele continua fumando e se continua adorando Mac Donald's?
Será que ele continua não amando os livros,e ela cada vez mais?
E continua não gostando de dar longas caminhadas,e ela não assistindo televisão?
Será que ele continua gostando de filmes de ação,e ela de chorar em comédias.
Será que ela continua lendo os livros que já leu?
Será que ele continua tossindo cada vez que fuma?
Saber é não saber mesmo!!!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais longos,não saber como encontrar
tarefas que lhe cessem o pensamento.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,não saber como vencer a dor
de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra,e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz,e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro,se ele está mais belo.
Saudade é nunca mais saber de quem se Ama e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti(e sinto) enquanto estive escrevendo e o que você (deveria)
provavelmente estar sentido agora depois que acabou de ler.”
Quem inventou a distância nunca sofreu a dor de uma saudade!!!
Martha Medeiros
Adorei esse texto...
ASSISTINDO AO ÓTIMO "CLOSER - Perto demais", me veio à lembrança um poema chamado "Salvação", de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: "Nenhuma pessoa é lugar de repouso". Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída - o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.
Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.
Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas ¿ sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.
Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?
Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.
Martha Medeiros
Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade - nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais práticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.
Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas ¿ sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir mão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo "leve dois, pague um", também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.
Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradições, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?
Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.
Martha Medeiros
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