quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Como tudo começou...


De uns tempos para cá muita coisa vem acontecendo em minha vida. Tenho a impressão de que a cada dia ou ano que passa eu aprendo dobrado, triplicado e o crescimento vem sendo tão significativo que ás vezes chega a ser assustador. No momento o que mais me causa sensibilidade é a questão espiritual, me enveredei por um mundo que até então estava apenas no meu imaginário popular, um mundo que pelo lado bom é lindo, acolhedor e sagrado.

Pois bem... Comecei a ter o primeiro contato com o camdomblé através de uma pessoa muito especial em minha vida, o Luiz Felipe. Agradeço quando olho para trás por ter me dado a oportunidade de conhecer coisas novas, de superar preconceitos e pensar que nem tudo é como parece ser, que há algo muito mais profundo do que o preconceito que beira concepções de mundo e principalmente religiões.

Tive o meu primeiro contato com o Camdomblé, religião africana tão combatida e injustiçada no decorrer da história cultural do nosso país, a vulgarmente chamada "macumba". A macumba em si não é o Camdomblé, logicamente então o camdomblé não é macumba. Macumba é a dança onde se apresentam os orixás com toda a sua beleza e simplicidade.

Mas quem são os orixás? Esse foi o primeiro sentimento que tive. Até então tinha na minha imagem aquelas roupas cheias de brilho e luxuosas que os adeptos da religião vestiam. Mas será só isso? Fui percebendo que não.

A primeira vez que tive contato com o espiritismo de fato se deu em uma mesa de jogo, as cartas do cigano Ramiro que me ajudaram em um momento de descrença, encontrei um caminho e consegui o meu objetivo. A cada dia que passava até então a crença me causava ainda mais curiosidade.

A primeira vez que participei de uma festa de santo... Foi uma festa de erê. Mas o que seriam os erês, ao chegar na casa havia muito doce, muito bolo, muito refrigente e toda essa parafernalha que crianças e até nós adultos tanto gostamos. "Ahhh tá, então erê come doce?"

Começou a festa, o despacho de exu. "Que medo! O que seriam os exus? Melhor nem saber... Deixa isso pra depois." - Pensei

Fez-se uma prece, invocou a presença do senhor para que ele pudesse estar presente nos trabalhos, um pai nosso e uma ave maria. Pensei então "Opa... não deve ser tão ruim assim, se não pra que rezar o pai nosso e ave maria"

Parece estranho, mas geralmente se pensa assim. Após cantar para os orixás, alguns deram o ar de sua graça e de sua benção. Até que chegou a hora de "arriar" a mesa no chão, olê lê... a mesa dos orixás.

Começou então a cantar para os erês. Imediatamente todos os médiuns tomaram outras fisionomias, parecia que havia tocado o sino do recreio e todas as crianças de uma escola estivessem saído de suas salas. Pedrinho, Zezinho, Rosinha, Mariazinha, Estrelinha, esses eram os nomes de alguns deles.

Confesso que inicialmente achei um pouco estranho. Fiquei curioso com toda aquela situação, mais curioso ainda ao ver todo mundo falando diferente, quem eram sério já não parecia mais tão sério e quem já era feliz ficava mais ainda.

E bolo para cá, refri pra lá, doces e mais doces. Foi o primeiro contato. Os erês... Aos poucos durante a festa fui ficando um pouco mais a vontade, arrisquei até trocar algumas poucas palavras com a estrelinha, com medo ainda mas um pouco mais a vontade.

Os trabalhos seguiram até o seu fim. E eu voltei pra casa... Levei alguns doces, tive medo de comer incialmente, mas acabei comendo. Cheguei em casa com a sensação de descoberta e pensei. "Nunca pensei que iria em um lugar desse" deitei a cabeça no travesseiro, dormi e sonhei...

A partir daí, fica para a próxima postagem!

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